Foto: cecilia de sa pereira/DP/D.A Press
´Eu queria entregá-lo ao prefeito. O poder público precisa cumprir com a Constituição Federal. Essa criança corre sérios riscos na rua. Não tem família. Pelo menos, que o assuma. Precisa de apoio. Precisa estudar, terum lar. Alguém que cuide dela. Qual o seu futuro?`, questionou o professor. Ontem, na verdade, ele só conseguiu falar com a secretária de Assistência Social, Niedja Queiroz. O problema ainda não foi resolvido.
O educador conheceu a criança no mês de novembro do ano passado. O garoto vive com uma tia e uma irmã na comunidade de Roda de Fogo, no bairro dos Torrões. A mãe já esteve presa. Nunca conheceu o pai. Mas a luta para mudar a realidade desse menino não é um fato isolado. O professor José Luiz possui uma ONG chamada Pirraias da UFPE, que atende 30 crianças e adolescentes de nove a 16 anos, com atividades socioeducativas. Para isso, um dos requisitos é que a criança esteja estudando e tenha boas notas. ´A minha luta começou desde o dia em que eu fui apresentado ao garoto. Ele me falou que tinha interesse em participar do meu projeto, mas que não estudava porque não possuía registro de nascimento. Tentamos várias vezes falar com a tia da criança, mas ela nunca nos deu atenção`, contou o professor.
Ontem, na sede da prefeitura, assustado, o garoto revelou o seu maior sonho. ´Eu quero estudar. É só isso o que eu quero. Só estudei até a segunda série. Depois disso minha mãe brigou com a direção da escola e nunca mais eu voltei para lá`, revelou a criança. Ao final do encontro, a secretária de Assistência Social da Prefeitura do Recife prometeu levar o menino para uma Coordenadoria Regional de Assistência Social - CRAS até a próxima sexta-feira. O local vai servir de triagem para saber se a criança está realmente com os laços familiares rompidos.
´Depois que acabou a reunião na prefeitura, peguei um táxi e segui para a casa da criança. Para minha indignação, tive de deixá-lo sozinho. Não tinha ninguém para recebê-lo. Mas acho que a minha iniciativa serviu para chamar atenção da sociedade`, disse Simões. (Marília Simas)
Fonte Por : Diario de Pernanbuco
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