terça-feira, 5 de abril de 2011

Professor levou criança para prefeito


Foto: cecilia de sa pereira/DP/D.A Press
Poderia ser uma história de ficção, mas não é. Assim como no filme Verônica, lançado no país em 2009 que conta a trajetória de uma educadora que muda a sua vida para salvar um aluno, um professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) vem lutando para garantir um futuro melhor para uma criança de 10 anos. José Luiz Simões, professor de educação física, comoveu-se com a triste sina de um menino que passa os dias nos arredores da instituição de ensino pedindo esmolas aos estudantes. Procurou o Conselho Tutelar do Cordeiro duas vezes neste ano. Nada foi feito. Ontem, num ato de desespero, colocou a criança em um táxi e seguiu para o gabinete do prefeito para exigir que o poder público assumisse a sua responsabilidade com o menino. Mais uma vez, sua tentativa falhou. João da Costa não estava.

´Eu queria entregá-lo ao prefeito. O poder público precisa cumprir com a Constituição Federal. Essa criança corre sérios riscos na rua. Não tem família. Pelo menos, que o assuma. Precisa de apoio. Precisa estudar, terum lar. Alguém que cuide dela. Qual o seu futuro?`, questionou o professor. Ontem, na verdade, ele só conseguiu falar com a secretária de Assistência Social, Niedja Queiroz. O problema ainda não foi resolvido.

O educador conheceu a criança no mês de novembro do ano passado. O garoto vive com uma tia e uma irmã na comunidade de Roda de Fogo, no bairro dos Torrões. A mãe já esteve presa. Nunca conheceu o pai. Mas a luta para mudar a realidade desse menino não é um fato isolado. O professor José Luiz possui uma ONG chamada Pirraias da UFPE, que atende 30 crianças e adolescentes de nove a 16 anos, com atividades socioeducativas. Para isso, um dos requisitos é que a criança esteja estudando e tenha boas notas. ´A minha luta começou desde o dia em que eu fui apresentado ao garoto. Ele me falou que tinha interesse em participar do meu projeto, mas que não estudava porque não possuía registro de nascimento. Tentamos várias vezes falar com a tia da criança, mas ela nunca nos deu atenção`, contou o professor.

Ontem, na sede da prefeitura, assustado, o garoto revelou o seu maior sonho. ´Eu quero estudar. É só isso o que eu quero. Só estudei até a segunda série. Depois disso minha mãe brigou com a direção da escola e nunca mais eu voltei para lá`, revelou a criança. Ao final do encontro, a secretária de Assistência Social da Prefeitura do Recife prometeu levar o menino para uma Coordenadoria Regional de Assistência Social - CRAS até a próxima sexta-feira. O local vai servir de triagem para saber se a criança está realmente com os laços familiares rompidos.

´Depois que acabou a reunião na prefeitura, peguei um táxi e segui para a casa da criança. Para minha indignação, tive de deixá-lo sozinho. Não tinha ninguém para recebê-lo. Mas acho que a minha iniciativa serviu para chamar atenção da sociedade`, disse Simões. (Marília Simas)



Fonte Por : Diario de Pernanbuco

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