PASSEATA dos militares causou engarrafamento ontem, no Centro do Recife
Apesar do início tumultuado, a passeata seguiu conseguindo apoio da sociedade em geral. Entre as paradas de ônibus lotadas a espera dos coletivos que tardavam em chegar por conta da retenção do tráfego, as pessoas aproveitavam para ouvir as reivindicações dos militares. “Eles estão certos, tem que procurar os direitos deles”, disse a empregada doméstica Lenilda dos Santos, de 57 anos. Mas ao contrário da mulher, outros reclamavam do trânsito. “Complica muito para a gente que passou o dia trabalhando e quer ir para casa agora”, disse o comerciante Paulo de Lima, de 35 anos.
Já entre os militares que acompanharam todo o percurso uma das maiores queixas era a falta de reconhecimento do Governo do Estado. “Nós somos muito cobrados quanto a redução dos índices de criminalidade. Nós estamos na linha de frente, mas na hora do reconhecimento do nosso trabalho há essa diferença”, disse a capitão da Diretoria Geral de Pessoal (DGP), Rita de Cássia Salomão, referindo-se a disparidade de salário entre as polícias.
O mesmo sentimento era dividido pelos companheiros de trabalho. “A PM está prestando um bom serviço. Mas nós só temos deveres, e não direitos”, afirmou o policial Ivo Feliciano. Para o coordenador da Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados (ACS), Renílson Bezerra, o Governo descumpriu o acordo com a categoria, o que motivou a passeata.
“Desde o ano passado começamos a discussão sobre o reajuste salarial. Em janeiro entregamos nossas propostas, mas nada foi resolvido. E agora, eles desmarcam uma reunião de última hora e dizem que não tem ainda posição quanto ao reajuste”, informou. A reunião marcada entre a Secretaria de Administração e os militares está confirmada agora para a próxima quinta-feira, às 19h. Porém, caso não haja definições quanto à proposta salarial, a classe promete paralisar os serviços.
“Depois da reunião com o Governo vamos realizar uma assembleia, pois se a proposta não estiver dentro do que pedimos iremos fazer uma paralisação”, frisou Renílson. O salário pago aos militares hoje é de R$ 1.330. A classe reivindica o valor de R$ 3.500, que equipara-se ao valor pago a Polícia Civil.
Fonte : Folha de Pernambuco
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