A Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados (ACS – PE) está cada vez mais preocupada com os policiais e bombeiros militares, especialmente os que atuam nas unidades do Interior. Muitas cobranças, carga horária de trabalho excessiva, poucas horas de descanso e o triste resultado: tropa estressada, cansada, preocupada em tentar cumprir as impossíveis metas do Pacto pela Vida e não serem punidos por questões absurdas que não cabem aos mesmos resolver.
“Observamos que os nossos irmãos de farda estão no limite. O efetivo é pequeno e a responsabilidade é enorme. Com o aumento da violência no Interior e nas estradas (principalmente, assaltos a bancos), os PMs são forçados a atuarem como seguranças particulares nas frente das agências. Durante o dia, por conta do funcionamento das agências e à noite para evitar os arrombamentos. Os municípios ficam sem policiamento.
Os coletes a prova de bala estão vencidos em muitos destacamentos e faltam viaturas. As poucas que existem estão com pneus carecas e sucateadas” , conta o coordenador Renílson Bezerra
Para piorar a situação, os comandos deixam a entender que o material vale mais que o homem. Recentemente, dois episódios envolvendo viaturas mostram o quanto os valores estão distorcidos. Em Cupira, meliantes atearam fogo numa viatura. Os PMs quase morrem queimados tentando apagar as chamas e agora respondem a processo, sendo acusados e tratados como culpados pelo ocorrido.
“Outra situação foi o acidente em Taquaritinga de Norte. PMs sofreram acidente, capotando com o veículos, após passarem 24 horas trabalhando sem possibilidade de descanso. Estão mais preocupados com a perda da viatura do que apurar se, caso houve falha humana, o que a teria ocasionado”, diz Renílson.
Por conta das 24 horas sem descanso. O resultado será, no futuro, uma tropa velha, cansada e doente. As escalas são desumanas. Não existe a valorização do homem. Os governantes só pensam em metas e não investem na tropa. “O Governo deveria lembrar que a idéia é manter o homem pelo menos 30 anos na Corporação. Muitos novinhos já estão desistindo e pedindo para irem embora. É falta de estímulo, de reconhecimento. É preciso cuidar do policial hoje para que amanhã a sociedade não sofra”, conclui.
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